Demônios: Eles estão por perto!


Desde que eu voltei do sítio de minha tia, passaram-se duas semanas até eu presenciar mais uma aparição...


Eu estava no centro da cidade passeando, conhecendo o lugar enquanto minha carona não chegava. Eram dias chuvosos, o céu estava cinzento e cheio de nuvem, eram aproximadamente três horas da tarde. Me sentei em um banco na praça. Tinham poucas árvores ao redor, um vendedor de pipoca, crianças brincavam na areia, e suas mães se distraiam conversando umas com as outras. Olhei para baixo sentindo a minha cabeça começar a doer. Levantei-me e continuei andando.
 
A pracinha dava acesso à entrada principal de uma pequena capela, de estilo barroco. Olhei de longe e pude ver os contornos das imagens religiosas, já tinha me acostumado com os desencarnados. Às vezes eu conseguia ver muitos juntos. Aproximei-me mais da capela e olhei de longe os primeiros bancos, sentado havia um desencarnado chorando de costas para o altar. Ele estava em estado de putrefação e suas roupas com sangue seco. Parecia mais um zumbi. Me arrepiei vendo aquela cena. Mas continuei andando... Dei a volta na capela, e a cena que vi foi assustadora para qualquer pessoa. Vi ali representada, a degradação humana. Vários viciados consumiam drogas ali perto, olhei e dei um passo para trás, não notavam minha presença, pois estavam em outro lugar naquele momento. Por mais que estavam ali, suas mentes estavam sendo consumidas por aquilo tudo. E eu vi, não eram somente as drogas que os consumiam...

Em torno de cada um, havia pelo menos quatro demônios. Cada um cheirando ou fumando com ele, se deliciando com cada tragada. Seus olhos vermelhos pingavam sangue, possuíam a pele preta, coberta de um lodo do pântano, no qual exalava um cheiro nauseante.

Caiu uma lágrima do meu olho e fiquei imóvel olhando aquilo, jovens que possuíam família estavam ali definhando mais e mais a cada dia, os que tentavam sair, não conseguiam. Pois aqueles seres infernais estavam ali para garantir que isso não acontecesse. Assim que terminavam com um cigarro, eles faziam um estardalhaço querendo mais, gritavam no ouvido do viciado pedindo para que ele conseguisse mais. A cada passo que davam um rastro de sangue e lama ficava no chão, tinham rostos deformados com pequenos buracos, dos quais saiam larvas amareladas que caiam sobre os viciados, eu via elas se contorcendo ate chegarem no ouvido de cada um. Aquela visão infernal dominava meu ser de tal maneira, que me enjoava, me dava um aperto no coração, mais lágrimas começaram a escorrer e solucei chorando, consegui me mover e saí andando rápido dali, tampando a minha boca para não gritar, voltei para praça e ali permaneci até me buscarem...

Depois disso nunca mais fui a mesma pessoa...

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