A alma de minha avó veio se despedir




Sempre fui criado com minha avó, éramos muito apegados e eu até hoje lembro-me de seu cheiro,  sua voz,  seu rosto. No término de sua vida, eu me distanciei um pouco, acho que pelas amizades, e a adolescência. Logo que voltei a morar com meus pais, ela teve uma terrível gripe, que pela idade dela, seria fatal. Porém, eu não sabia que era tão grave. Ela melhorou, mas certo dia teve uma recaída, e foi levada para o hospital. Onde ficou internada durante duas semanas, até que melhorou e voltou para casa. Então eu sabendo que ela já estava bem, resolvi sair com meus amigos, e irmos beber e curtir um pouco em uma praça da cidade. Em um determinado momento veio um vento muito forte em meu rosto, que não passou despercebido, nesse momento tocou em meu coração de entrar na igreja, pois estávamos em frente a igreja, onde eu e minha avó sempre frequentávamos,  e lá fiz uma oração para ela, e toda minha família. Depois que saí da igreja, comecei a passar mal, sentia uma agonia terrível de perda, então pedi para ir embora, meus amigos mesmo sem entender, aceitaram meu pedido, e me levaram embora. No caminho, mesmo sem saber que minha avó havia sido encaminhada para o hospital novamente, eu decidi ir até lá.

Chegando à porta do hospital senti um leve vento bater em meu rosto novamente, então entrei e falei com a atendente:
- Boa noite! Gostaria de saber se “Emerlinda de Souza” deu entrada aqui hoje?
A atendente disse que sim, que ela tinha acabado de entrar, e já havia sido levada para o I.M.L.
Eu dizia desesperado...
- MAS COMO ASSIM? ELA ESTAVA ÓTIMA HOJE À TARDE. NÃO É POSSÍVEL!
E ela me disse que infelizmente ela teve uma recaída, e não resistiu.

Naquele momento eu já não sentia mais nada. Foi como uma forte cheirada de cocaína, eu não entendia nada. Estava lá, mas minha alma estava no fundo do poço.

Então saí correndo sem rumo, sem saber para onde ir, tendo as lembranças mais doces e os arrependimentos mais terríveis que já senti. Então correndo, sem rumo... Parei em uma esquina, onde era o salão funerário, lá eu sentei na calçada, muito escuro, apenas eu e a escuridão. Veio um carro e parou ali próximo. Levantei, e eram meus pais. Eles me perguntaram quem tinha me avisado sobre minha avó, e eu disse que apenas fui para o hospital, e lá me deram a notícia.  Meus pais disseram que não tinha como eu saber, pois só eles sabiam.

Nessa hora minha mãe me abraçou e disse: "Ela queria que você fosse o primeiro, ela foi até você, para lhe avisar, e te dar adeus." Na hora eu chorava como uma criança, uma terrível dor, que não sabia explicar.
Eu fui o primeiro a ver o corpo. E fiquei ali no velório, desde a hora que ela chegou ao salão, até a hora dela sair. Sem pregar o olho, sem comer, sem sair de perto dela.

Foi a experiência mais impressionante que já tive.

Enfim, mais de um ano se passou. E um dia minha mãe foi trabalhar, e eu fiquei em casa. Fui lavar as louças, e comecei a lembrar de minha avó. Enquanto eu lavava as louças, senti um leve perfume, e uma presença ali na cozinha. Na hora sem pensar, sabia que era ela, e então falei:
- Minha querida avó, eu sei que é você que está aqui.
Com as lágrimas descendo, soprou um vento forte, vindo da janela, em direção ao meu rosto, igual ao que senti na igreja, quando ela faleceu.

Foi a única vez que senti aquela presença. Depois disso, nunca mais aconteceu algo parecido novamente.

Ouça o relato:




Relato de Elvis Otaku.
Comunidade: “Eu acredito em fantasmas”

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