Cidades Dimensionais



O conceito da existência de cidades situadas em outros planos dimensionais é uma constante ao longo da história, e muitos médiuns e canalizadores têm recebido mensagens de seus habitantes. 

Hoje em dia, a noção de que nosso planeta não é exatamente aquilo que pensamos – ou não é apenas aquilo que conseguimos ver – já se tornou comum. Filmes como Matrix, por exemplo, trabalham a partir desse conceito, popularizando ideias bem mais antigas e ainda mais complexas.

Os sábios e místicos das mais antigas civilizações do planeta já afirmavam isso, entendendo que o mundo é composto por diferentes camadas de realidades, sendo que a maioria das pessoas só consegue ter a percepção clara de uma delas. No entanto, sob determinadas circunstâncias – que variam de pessoa para pessoa – alguns indivíduos conseguem atingir a capacidade de ter percepções mais ou menos nítidas dessas outras camadas de realidade. Seria como se elas convivessem conosco, invisíveis, à nossa volta, de vez em quando interferindo em nossa própria realidade imediata, com portais ou passagens abrindo-se por algum tempo, permitindo algum tipo de relacionamento entre as diferentes dimensões que pode ser mais ou menos intenso dependendo da situação. Certos procedimentos ou padrões mentais permitiriam o acesso limitado a essas outras dimensões, da mesma forma que, em certas ocasiões, a realidade dessas dimensões poderia se manifestar em nosso mundo.

A manifestação dessas realidades poderia ocorrer de diversas formas, desde o surgimento inesperado de algum objeto em nosso mundo, até a visão de cidades e de entidades que habitam essas dimensões. Sim, porque se supõe que as demais dimensões, ou pelo menos algumas delas, sejam habitadas por seres que, às vezes, são vistos como sendo quase deuses, outras, como quase humanos. Eles também entram em contato com nossa realidade enviando mensagens, as chamadas canalizações de que tanto se fala atualmente, ou mesmo as mensagens recebidas pelos médiuns espíritas.

Esse antigo conhecimento sobre a multiplicidade de universos ou realidades se encontra na base do desenvolvimento de muitas crenças religiosas – algumas das quais existem ainda hoje – e também do surgimento de inúmeras posturas e pensamentos da chamada Nova Era, que, por sua vez, foram bastante influenciados pelas religiões e filosofias orientais. Por exemplo, as referências à existência de um "mundo invisível", encoberto dos simples mortais pelo "véu de Maya", são constantes na espiritualidade hindu.

Hoje em dia, essas noções também fazem parte da especulação e de pesquisas científicas – ainda que muito pouco comentadas abertamente –, especialmente na concepção dos chamados universos ou dimensões paralelas. A noção é comum, por exemplo, na literatura e cinema de ficção científica, e se desenvolveu a partir de alguns aspectos da teoria quântica. O Prêmio Nobel de Química, Ilya-Prigogine (1917-2003), disse que um exemplo claro da relação entre a religiosidade hindu e a moderna teoria quântica pode ser percebida pela simples análise de uma imagem do deus Vishnu, na qual ele se encontra deitado, sonhando com o mundo, e é seu sonho que torna o mundo real; quando Vishnu acordar, o mundo deixará de existir.

Os relatos sobre a existência de cidades em outras dimensões são bem complexos, frequentemente com detalhes minuciosos. Às vezes, esses relatos surgiram – e ainda surgem – de comunicações mentais ou visões; mas em alguns casos, eles envolvem possíveis visitas físicas às cidades, países ou outras terras, geralmente maravilhosas e espiritualmente superiores ao ambiente terrestre.

Também existem informações confusas com relação ao local exato em que algumas cidades se situam. Algumas das mais famosas – como Shamballah e Agartha – algumas vezes são tidas como existentes numa dimensão paralela; outras como cidades subterrâneas, ou até como cidades subterrâneas e ao mesmo tempo situadas em outra dimensão.

Aqui mesmo na América do Sul são relatados exemplos de cidades desse tipo, muitas vezes relacionadas à presença de seres extraterrestres na Terra. A Ordem Quaternária dos 49, por exemplo, se refere à existência da chamada Cidade dos Sete Planetas, construção subterrânea na Cordilheira dos Andes, visitada por Polo Noel Atan, que, por sua vez, foi quem orientou a formação da Ordem, em 1977.

Trigueirinho, muito conhecido nos meios esotéricos e ufológicos brasileiros, também se referiu à existência de cidades subterrâneas como Erks, que estaria situada na região de Córdoba, na Argentina, MizTliTlan, em algum ponto dos Andes, e Aurora, na região de Salto, no Uruguai. São cidades subterrâneas, mas que igualmente existem num outro plano dimensional e, segundo se diz, podem começar a se manifestar mais claramente no mundo material quando chegar o “momento propício”. Essas cidades seriam habitadas por intraterrenos, por energias intergalácticas e por seres extraterrestres. Os intraterrenos, mais evoluídos do que nós, habitantes da crosta, não estariam mais sujeitos aos ciclos evolutivos da humanidade, vivendo até 650 anos; também seriam capazes de se deslocar por diferentes dimensões. Mais evoluídas do que eles seriam as raças extraterrestres ou cósmicas.

Essas cidades também são chamadas de "espelhos", servindo como pontos de comunicação com as naves especiais em torno da Terra e as galáxias de onde elas teriam vindo. Mais do que isso, as cidades teriam como função despertar novos níveis de espiritualidade nos habitantes da superfície.

Na Serra do Roncador, no Brasil, também surgiram relatos de "passagens" que levariam a cidades ocultas, situadas numa dimensão espiritual à qual apenas algumas pessoas teriam acesso. Foi nessa região que se fundou o Monastério Teúrgico do Roncador, iniciado pelo Hierofante Udo Oscar Luckner (1925-1985) – autor do livro Mistérios do Roncador (1981). Luckner afirmava que a civilização subterrânea, cujo acesso se obtinha em algum local da região, tinha relação com a civilização inca e com a Atlântida; os membros da "engenharia cósmica" ligados à existência da cidade já estariam há dez mil anos atuando em várias regiões do Brasil.

O que parece claro é que o contato com esses locais e com os seres que lá vivem é bem restrito, seja a pessoas com um desenvolvimento espiritual mais aprimorado, seja a pessoas com capacidades psíquicas mais desenvolvidas. Em alguns casos, como nos relatos do antigo Egito, as terras do além eram vistas como lugares maravilhosos que só podiam ser acessados pelos espíritos dos mortos, mas que eram apresentadas como verdadeiros países, com tudo aquilo que a existência material proporcionava.

Imagem do filme Nosso Lar (Fox).

Nesse sentido, esses relatos se assemelham às descrições das cidades espirituais do Espiritismo, especialmente às descrições do Nosso Lar. O relato da existência da cidade chamada Nosso Lar foi fornecido pelo espírito André Luiz ao médium Chico Xavier, no livro com o mesmo nome, e certamente chamou a atenção pela riqueza de detalhes sobre a vida nesse local situado em outra dimensão. Esse plano espiritual estaria muito próximo do nosso, e nele o espírito dá seguimento à sua existência, inclusive mantendo algumas das sensações que tinha em vida, sentindo alterações de temperatura, fome, sede, etc.

O Sol, a Lua e as estrelas que existem nessa cidade são as mesmas que na Terra, uma vez que a esfera espiritual é vizinha à nossa. Mais que isso, a cidade é apresentada como possuindo uma organização digna de qualquer cidade terrestre, ainda que ordenada. Tem administradores, ministérios, edifícios, casas, animais domésticos, meios de transporte, fábricas que preparam sucos, tecidos e outros artefatos. Os desencarnados que lá vivem trabalham e recebem ordenado.

E, segundo as informações do espírito André Luiz, o Nosso Lar é apenas uma das muitas colônias espirituais existentes em outras dimensões, cada qual com suas particularidades e preparadas para receber os que deixam a vida na Terra. 

As informações sobre as mais variadas cidades que existiriam em outros planos vêm sendo fornecidas tanto pelo contato direto que algumas pessoas têm com essas realidades, como por meio de contatos entre os seres que nelas habitam e os terrestres.

Algumas crenças já se referiram à existência de sete planos ou níveis diferentes de realidade, cada qual um pouco mais afastado de nosso plano imediato. Assim, quanto mais distante se encontrasse o plano, mais difícil seria o contato. Os fantasmas, por exemplo, seriam os seres que ainda estariam num plano muito próximo da Terra, presos à realidade material e enfrentando dificuldades para se livrarem da existência anterior e realizar a passagem aos níveis mais elevados ou planos superiores.

No entanto, se fôssemos nos concentrar apenas na especulação científica, não haveria motivo para se pensar em apenas sete planos dimensionais: o número de dimensões paralelas possíveis, na verdade, poderia ser infinito.

Alguns estudiosos do assunto, ligados às mais variadas crenças e religiões, têm dito que, ultimamente, tem se tornado mais fácil acessar os níveis mais imediatos. Alguns chegam a dizer que está ocorrendo uma aproximação entre o plano material e o plano espiritual que se encontra mais perto da Terra, como se eles estivessem se mesclando. Essa seria a razão do número crescente de contatos, seja por meio de mensagens psicografadas, seja por meio das chamadas canalizações, ou mesmo por contatos diretos em projeções astrais que permitiriam aos indivíduos encarnados atingir esses níveis superiores.

(Foto: Jeferson Rodrigues).

É verdade que as informações e mensagens desses contatos estão cada vez mais complexas e, certamente, mais confusas, uma vez que as comunicações têm sido atribuídas não apenas a espíritos, mas também a seres extraterrestres, que estariam vivendo numa dessas dimensões paralelas e trabalhando em conjunto com os espíritos mais avançados.

Para falar o mínimo, é uma questão cabeluda. Há quem diga que os contatos com extraterrestres não devem ser confundidos com os contatos espirituais; outros afirmam que é tudo a mesma coisa, ou seja, que as mensagens atribuídas aos extraterrestres estão sendo mal interpretadas, e que na verdade são contatos com espíritos; outros, ainda, garantem que os extraterrestres que se comunicam com médiuns são seres de uma espiritualidade elevada, e que atuam nos planos espirituais com a mesma facilidade com que atuam no plano físico.

Uma investigação, então, deveria ser feita no sentido de tentar descobrir se estamos falando de diferentes dimensões, habitadas por diferentes seres, ou se é tudo a mesma coisa, e cada médium ou canalizador interpreta as mensagens que recebe de maneira diferente, cada qual passando as informações por seu próprio filtro – cultural, religioso, espiritual.

Obviamente, isso tudo considerando que as mensagens são dignas de crédito e que não se trata de um fenômeno completamente diferente, como alguns investigadores entendem. Em geral, os cientistas descartam essas narrativas como sendo alucinações, esquizofrenia, fraudes deliberadas ou outros fenômenos de natureza psicológica ou de estimulação eletromagnética dos lobos temporais, como propôs o dr. Michael Persinger, psiconeurofisiólogo canadense que realizou pesquisas o assunto. Ele afirmou ter conseguido reproduzir em laboratório a chamada "sensação de presença", fenômeno em que a pessoa que tem os lobos temporais estimulados vê nitidamente um fantasma ou mesmo um ser extraterrestre próximo de si. Recentemente, outros cientistas refutaram essas experiências, mas parte da comunidade científica continua entendendo que os fenômenos de canalização e visões de outras dimensões têm explicação no funcionamento do cérebro.

Qualquer que seja o rumo que se dê às investigações e especulações, o conceito da existência de cidades espirituais ou dimensionais é estimulante e possibilita inúmeras discussões. Quais seriam, por exemplo, os pontos em comum entre as narrativas do espírito André Luiz a respeito do Nosso Lar e outras visões de possíveis dimensões paralelas à nossa, encontradas em várias partes do planeta?

Para alguns pesquisadores de fenômenos insólitos, os contatos com outras dimensões de existência são uma realidade, registrados pelas mais variadas culturas ao longo da história. Mais que isso, alguns afirmam que existem locais específicos na Terra em que existiriam passagens entre as dimensões, passagens que podem estar mais ou menos evidenciadas. Existem relatos de cidades maravilhosas que, em determinados momentos, podem ser vislumbradas em alguns locais do planeta, seja no deserto do Arizona, seja na Antártida, seja no meio do oceano, onde ilhas aparecem e desaparecem misteriosamente, como se uma porta tivesse sido aberta repentinamente, propiciando a visão de uma outra realidade, para em seguida se fechar novamente.


Outro ponto interessante em comum entre as diferentes narrativas, por exemplo, está no fato de que algumas pessoas entendem que as orações funcionam como uma espécie de ferramenta para se atingir outros níveis ou, utilizando-se de outro tipo de linguagem, "abrir uma passagem" para outra dimensão. De forma semelhante, alguns contatados por extraterrestres se referem à elevação do “nível vibratório” como meio para se atingir um plano superior e receber ou canalizar as mensagens desses seres. Fala-se que os mantras indianos igualmente permitiriam, em determinadas ocasiões, o acesso a dimensões superiores, vislumbrando assim uma parte do mundo normalmente invisível. As pessoas que realizam projeções ou viagens astrais também se referem a uma série de atitudes ou atividades de relaxamento e concentração a partir das quais poderiam acessar outras realidades.

As noções se complementam e, em alguns casos, se confundem. Mas, seja como for, podem ser a indicação de um caminho único a seguir, em direção a uma compreensão maior e mais exata dos possíveis mundos e cidades invisíveis que nos cercam. É claro, desde que esses conceitos sejam examinados com isenção e sem preconceitos.


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