Acreditar em algo que nunca aconteceu


Pare por um momento e lembre-se da memória mais legal da sua infância. Ou a sua pior. De qualquer maneira, existe uma boa chance de que nem tenha acontecido.


A memória é realmente muito engraçada. Pesquisas tem constantemente mostrado que nossas memórias de quando éramos crianças estão longe da realidade, ou nem aconteceram de verdade. São apenas construções elaboradas por um sistema falho de guardar memórias que não é muito bom em distinguir o real do fictício.


Por exemplo, em um estudo em 1995 pesquisadores juntaram um grupo de pessoas e mencionaram quatro incidentes de suas infâncias (pegos de membros de suas famílias) e perguntaram o quão bem os pacientes lembravam daquilo. O que os pesquisadores não mencionaram foi que uma das histórias era completamente papo pra boi dormir.

Não importava. 20% voltaram com novas memórias do evento, que na verdade nunca aconteceram. O ato de perguntar se lembravam causou a memória a ser fabricada, preenchendo os detalhes ali mesmo.

Os pesquisadores sabiam que poderiam aumentar esses 20%. Em outro teste, um grupo de pessoas que já haviam visitado a Disney antes foram colocados numa sala com um cartaz do Pernalonga e/ou foram mostrados falsas propagandas da Disney envolvendo o mesmo. Após isso, 40% falaram que lembravam vividamente vendo um cara numa fantasia do Pernalonga enquanto estavam na Disney. É claro que eles não viram, o Pernalonga nem é da Disney.

Um outro estudo foi ainda mais a fundo e usou o Photoshop para criar uma foto de cada sujeito em cima de um balão de ar quente. Quando perguntados se lembravam do ocorrido, 50% disseram que sim. Outros experimentos convenceram as pessoas de que quase se afogaram, outras que foram hospitalizadas e até atacadas por algum animal selvagem.


Como isso funciona?
O cérebro brinca rápido e solto quando se trata de guardar memórias, e por um bom motivo: Geralmente os detalhes não importam. Você lembra o número de telefone do seu melhor amigo, mas não onde e quando ele te passou. Você lembra que odeia cebola, mas não lembra que dia da semana experimentou. Seu cérebro quebra as memórias num estado ‘básico’ das lições aprendidas e do que você precisa saber para depois.


O problema é que o mesmo processo que faz isso dificulta muito a distinção de memórias reais e fictícias, já que a raiz da memória é geralmente descartada na hora. Um fato que você acha que leu no jornal pode ter acontecido em uma novela ou filme, vindo de um amigo, em um sonho, ou pode ter sido implantado por alguém que quer te f&#$#.

Então não só alguém pode fazer isso por você, mas parece que você pode viver um comércio muito lucrativo implantando infâncias felizes nas pessoas.


Sabe, que nem aquela vez que você descobriu que era adotado, e que seus pais de verdade eram os Thundercats.

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